Feira Científica e Cultural 2014

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

HF Music sua Frêquencia do saber.


A Radio Escola HF Music,inaugurada em 2009 pelo corpo docente e discente da escola chegou a seu auge no ano de 2010, sob nova direção da talentosa professora de artes Andrea Azevedo, a radio ganhou uma nova frequêcia e emoção, atraindo alunos que antes tinham medo a exposição pública. A professora contribuiu decisivamente no Festival Musical e na II edição da E.T.I..C , fazendo a cobertura do evento,informando a comunidade escolar e comunidade externa os acontecimentos da escola. Por tudo isso a direção da escola e equipe técnica pedagógica fica orgulhosos dessa equipe "fantástica" e agradece de coração todos os que fazem a radio.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mosqueiro em letras

Por Alcir Rodrigues

Procurando por textos sobre Mosqueiro, para organizar um pequeno banco de dados sobre a Ilha, encontrei, entre outros textos (de autores ja consagrados pelos leitores e pela crítica, de outros que ainda nao atingiram tais pincaros), poemas homenageando ufanamente ou denunciando as mazelas locais. Todos eles, de qualquer modo, tematizando a “Bucólica”, inscrevendo-a no âmbito dos registros gráficos, sejam eles literários, geográficos, históricos, sociais, culturais, etc., nao importa tal fato, no momento, já que o relevante e que se tenham dados (os textos) coletados sobre nosso distrito-ilha. O primeiro dos textos que compilei e este, de An`tônio Juraci Siqueira, de seu livro Piracema de sonhos:
           

                Mo(s)queiro
Metamorfose de signos -- fonemasimage
roídos pelo tempo e pelo uso...
Foram tantos verões, tantos invernos
foram tantos poentes e alvoradas
que a ilha do Mosqueiro e dos encantos
perdeu seus moquens e seus mistérios.
Em que volta do tempo se perderam
os nossos ancestrais que moqueavam
piabas nas mares tepacuemas?
Hoje a ilha do Mosqueiro, em desencanto,
carrega um S enorme e sibilante
encravado no nome e no destino.

Um perfeito insight de Juraci associar o tema da decadência, muito alardeada quando se faz referencia a ilha e a suposta evolução linguística que, em tese, teria dado origem a palavra Mosqueiro, muitas vezes confundida com aquela que o dicionário registra como “lugar onde há moscas com abundância”. Nao e um poema de carater ufanista, como a maior parte do que e produzido em poesia tematizando o lugar. Em vez disso, evoca, apenas, uma afortunada Ilha de tempos idos, metamorfoseada agora em lugar de desencanto, uma Ilha que subsiste com seus atrativos aprazíveis somente na memória nostálgica dos mais idosos -- ou nas páginas amarelas e bolorentas de algum esquecido livro--, pois Mosqueiro contemporaneamente o que tem angariado não é exatamente em valores prós. E um lugar que clama por um retorno não de um filho pródigo, mas de um tempo de mais prodigalidade.

  image

 
Garimpamos ainda outro belo poema, sucinto -- quase um poema-pílula --, que diz muito por meio de uma linguagem lacunar, sempre a ser completado pelo leitor o sentido sugerido, muitas vezes diretamente ligado a forma organizacional das palavras distribuídas no branco da página, em um isomorfismo raro entre expressão e idéia, a evocar a bela praia da predileção de Max Martins: Maraú (para alguns, Marahú), onde o poeta viveu por um tempo, na cabana chamada Porto Max. O texto integra o livro Caminho de Marahu, de 1983, e vem a seguir:


Mar-ahu


Não
é a ilha


Não
é a praia


E o mar
(de nos fazermos ao)
é só um nome
sem


a outra margem

image


Outro que surge, no mesmo livro, com as mesmas sutilezas, agora mais para um haicai que para um poema-pílula, é este:


                               Marahu

       A praia                           image  
       A tarde se desdiz    
       te diz
                  se estende
                            e te dissolve

 

Aqui Max explora a vacuidade possível das ondas, sempre sonoras, sempre efêmeras, porém tenazmente repetidas, solvidas dentro de si mesmas, tanto no aspecto vísuo-sonoro quanto semântico, tornando a praia um lugar de nostalgias, liquefazendo o ser dissolvido pela passagem do tempo, que parece fluir vagamente como o próprio pensamento, na contemplação da enseada do Maraú.
Na verdade, tudo o que se possa dizer sobre esses poemas, tanto de Max como de Juraci Siqueira, valem apenas como comentários, visto que os poetas já disseram tudo da melhor maneira possível, e o crítico ou analista, refletindo sobre sua obra, pode estar banalizando-a, no momento em que tenta explicá-la, interpretá-la, ou comentá-la.
Outro poeta a dedicar versos a Ilha chama-se Arnaldo Rodrigues. Em seu livro Cabeleira: o papa chibé em prosa e verso (1998), presenteia-nos com estes, a seguir:

 


Mosqueiro e tradução

 

Nao vou sair da praça
com pandeiro e maracá,
quero ouvir você cantar,
lá no Bispo, image
até o sol raiar:
“Essa Ilha é minha onda,
nela vivo a navegar”.
Vou cantar
minhas lembranças:
Murubira, tanto mar,
Ariramba é só luar,
pelas noites enamorar
a morena flor mais bela,
a loirinha no arraial.
Vou esperar pelo Tá Feio,
um bloco e tradição,
carnaval tambem tem frevo,
carimbó e siriá,
quero ver você dançar
no Farol
até o sol raiar.
Mosqueiro é a tradução
do Rio numa cidade,
mas será que ela me invade
por capricho ou compaixão
ou será que é meu coração
que se mata de saudade?
Eu não vou daqui,
nao vou.
Diga ao meu amor:
“Não vou.”

Maraú de areia

No meu Maraú
de areia,
tabaroa faceira,
com decote que encandeia
e o tangará no galho seco.

Vida ribeira
costumeira:
joga a vida,
joga a rede,
veja a vela,
veja o mar.

Rede trança
caroa:
joga a vida,
joga a rede,
veja a vela,
veja o mar.

Vela velha
companheira:
joga a vida,
joga a rede,
veja a vela,
veja o mar.

 

Cinco Bocas

Uma butique de raças image
na feira tupiniquim,
uma flor que não é do Lácio
mas que tem o seu latim
no grito do indio murubira,
no chalé que o branco inventou,
na ginga do negro
de Osmar e de Dodô.
Cinco Bocas, cinco cantos
cantando o carimbó;
cinco bocas, cinco santas,
Santa Senhora do Ó;
cinco bocas, cinco encantos,
Encantam o Poeta-Mor;
cinco bocas, cinco cantos,
decantam uma só voz:
“Olha Os Piratas,
Os Peles Vermelhas
e o Tá Feio,
mas que beleza,
quero pular,
não vou negar,
pois eu não minto,
são cinco bocas
multiplicando,
ah!... são outras mil
Chapéu Virado, Bispo, Farol
e o carnaval no corãção
do Brasil.”


Em primeiro lugar, nota-se o caráter de texto pensado de cada um destes poemas escritos por Arnaldo Rodrigues, em cujas linhas se pode constatar o trabalho de poeta burilador de sua linguagem, e poeta que os criou com conhecimento de fato, de causa mesmo, daqui da terrinha ilhoa de Mosqueiro, já que frequenta as bucólicas plagas desde o início da década de 1980, ocasião em que se inicia sua relação afetiva com tudo que seja desta Ilha. Além de aqui passar a ser residente por temporada, já que possui casa em Mosqueiro, o poeta ancora a referência de seus poemas em lugares e situações que coincidem com o real, ainda que esse fato nao seja necessário à qualidade dos escritos, pois seu verossímil nasce da
coerência interna a cada texto. Já sua qualidade, esta emerge indubitavelmente do “engenho e arte” do autor, do talento e da técnica, portanto, remontando ao que disse Camões.
Em segundo lugar, o autor, quando se atém a aspectos do exótico e do pitoresco, não o faz como um mergulho cego ou como uma aposta única em temas surrados que acabam por suscitar certo distanciamento do lado humano e sociocultural. Em vez disso, pretextando passear por um território já bastante visitado, porém revisitando-o por sendas inusitadas, explora com qualidade especial a ludicidade, o léxico do campo semântico da música, redescobre tesouros paisagísticos, tanto os naturais como os históricos, além de que faz incursao inusual pelas manifestações socioculturais do carnaval e das agremiações carnavalescas.
Por último, interessa-nos por excelência as referenciações de Arnaldo Rodrigues ao Bloco Carnavalesco Tá Feio, de tradição irnica e irreverente no seu modo de fazer carnaval popular, a quem o poeta ja deu sua parcela significativa de participação como brincante, como integrante da ala dos compositores e, principalmente, como representante-mor diante das autoridades, ou seja, como presidente da agremiação em tempos gloriosos de desfiles memoráveis.
No livro No passar da chuva: crônicas & poesias, Eduardo Santos, poeta já conhecido em todo o Brasil por ter dado entrevistas na tevê, como no Programa do Jô, também já famoso por “rodar” em muitos lugares em sua bicicleta estande, escreveu este poema para

 

Mosqueiro:

Recanto oficial image
Mosqueiro,
Ilha sem outra igual
Recanto bucólico
Divino e natural.
Ponto de chegada,
Cais de partida...
De quantos e tantos
Amores de verao.
Tua beira-mar
Maravilhosa
De agitos mil...
Em teu palco ensolarado
Passam teus filhos, fãs
E caboclas
Que te exaltam
Clamam e flamam
Com sorrisos,
Bronzes e carnavais.
Tuas praias inesquecíveis,
Teu gosto doce e temperamental
Fazem de ti
O recanto oficial
Do amor, do calor,
Do verão.

image
O autor, assim como muitos outros, envereda pelo caminho do enaltecimento de certos caracteres aprazíveis da Ilha, mergulhando suas linhas melódicas no igarapé do ufanismo. Tal procedimento, nao sem alguma razão, tem sido considerado por especialistas na área como exploração de lugares-comuns, apelo à trivialidade e, portanto, uma dívida dos autores para com a originalidade e criatividade no trato com a matéria do poético. No entanto, não poderiam estar exagerando na condenação? Creio que aí a questão envolve uma crítica a certo grau de exagero ufano e quantidade demasiada de discurso laudatório, que estariam exaurindo um filão já há muito explorado de forma não criteriosa. Ou seja, vale fazer apologia? Depende.
Se nao for gritante, por que não? O problema é a exacerbação do elogioso ao ponto da aproximação do apolítico e alienante dos aspectos sociais e existenciais (que angustiam a consciência de pessoas de saudável senso crítico, inclusive a do autor destas páginas), afastando o leitor de uma relacão benéfica do ficcional com o real, aliciando-o muitas vezes ao abandono da leitura de conteúdo inquietante e questionador. Não sendo assim, doce pecado é banhar-se em lagoas de amenas águas paradisíacas e sentir o agridoce sabor da nostalgia pelo outrora querido e perdido, que não volta mais, sentir o aroma e frescor da brisa e do arvoredo que ensombreia e balança as redes nas varandas da saudade, nas modorrentas tardes de uma Mosqueiro que queremos, mas não podemos mais, re(vi)ver.
Os poemas de Eduardo Santos, de Arnaldo Rodrigues, Max Martins e Antonio Juraci Siqueira permitem muito pertinentemente as reflexões acima, para uma conclusão: escapar ao pitoresco e exótico, ou assumir em seus poemas a exploração dessa temática. Concluímos que não é o uso desse expediente, mas o abuso dele, que acaba por banalizar a literatura. Outra particularidade interessante a se ressaltar é a possibilidade de o poeta vivenciar de fato o que será, a posteriori, ficcionalizado ser tão pertinente quanto a de se imaginar tal vivência, para (também a posteriori) ficcionalizá-la. Ambas sao legítimas, mas a segunda possibilidade,
concretizada pela pena de um poeta inábil, pode resultar bem mais calamitoso do que se este fato se desse em relacão à primeira possibilidade. Contudo, toda essa discussão, indubitavelmente, ainda permanece em aberto.

E, para finalmente concluirmos, deixo registrado aqui um poemeto de minha autoria, que publiquei em um livro artesanal que nomeei de Setembro em brasa:

À  Drummond

E como eu vagasse

numa praia de Mosqueiro

à hora vesperal

e só vislumbrasse

nas vagas da vazante

as vagas lembranças

doendo na memória,

como retratos poeirentos

clamando, aí num lampejo

incolor e insonoro

a imagem surge:

o mundo está à espera,

nada é gratuito,

deve chegar o tempo

e virá o recomeço.

 

… batendo leves soltas

asas as ideias se confundem

numa mixagem desordenada,

aparentemente incompreensível.

 

Me deixo fluir dentro de mim

e me absorvo por completo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Cinema e a Educação

Prof. Alcir

O audiovisual oferece hoje uma gama de aplicações em pesquisas e estudos em uma vasta rede de setores dentro de praticamente todas as áreas do conhecimento. Mas tudo isso não poderia ser concebido naquele distante 28 de dezembro de 1895, quando os irmãos Auguste e Louis Lumière exibiram, no subsolo do Grand Café, em Paris, o “Cinematógrafo Lumière”: era a primeira sessão de cinema da História, com 10 filmes, com o tempo total de 20 minutos. Seriam hoje classificados como documentários. O primeiro deles tem como título A saída das operárias da fábrica Lumière, ainda conservado até hoje e disponível na Internet. Trinta e cinco pessoas assistiram aos filmes, pagando com uma moeda de 1 franco. O público, surpreendido pela invenção inovadora, começou a formar filas de mais ou menos 1.500 pessoas, diferentemente das 35 da primeira sessão.

Os Lumière não acreditavam que poderiam obter lucros com o cinematógrafo como entretenimento. Deve-se a outro francês, visionário, essa percepção. Chama-se Georges Méliès, um ilusionista e precursor do cinema como espetáculo e como arte, além de indústria do entretenimento. Mas não é desses brilhantes homens que queremos falar, mas, sim, do cinema em si, quando ele tende para a dualidade horaciana da máxima de “divertir e ensinar”. Muitos títulos, inclusive, direcionam seu conteúdo para a área educacional, explicitamente, como é o caso do Mr. Holland, adorável professor, ou o clássico Ao mestre, com carinho. Segue, abaixo, uma lista desses filmes, por ordem alfabética, extraída do blog http://www.lendo.org/21-filmes-em-que-a-educacao-e-um-tema-criativo/. Gostaria de que os título estivessem em itálico, como orienta a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e que não estivessem EM CAIXA ALTA, mas... Não tenho paciência!

1. Ao mestre, com carinho e Ao mestre, com carinho 2
2. ABC do amor 
3. À procura da felicidade
4. A voz do coração
5. A lista de Schindler
6. A corrente do bem
7. A maçã
8. Anjos do sol
9. Adorável professor 
10. A língua das mariposas
11. A prova
12. Babel
13. Crianças invisíveis
14. Conversando com Deus
15. Conrack
16. Coach Carter – treino para a vida
17. Céu de outubro
18. Desafiando gigantes
19. Ela dança, eu danço
20. Em nome do pai 
21. Entre quatro paredes
22. Estrada para Perdição
23. Escritores da liberdade
24. Entre os muros da escola
25. Narradores de Javé
26. Filadélfia
27. Gênio indomável
28. Gattaca – experiência genética
29. Homens de honra 
30. Instinto secreto 
31. Lendas da paixão 
32. Meu mestre, minha vida 
33. Menina de ouro 
34. Mandela
35. Meninas
36. Machuca
37. Música do coração
38. Meu nome é rádio 
39. Mudança de hábito e Mudança de hábito 2 
40. Marie
41. Nell
42. Notas sobre um escândalo 
43. Nenhum a menos 
44. O clube do imperador 
45. O som do coração 
46. O preço do desafio 
47. O espelho tem duas faces 
48. O balão vermelho 
49. O quadro negro 
50. O jarro
51. Os filhos do paraíso
52. O balão branco
53. O triunfo
54. O contrato
55. O sorriso de Mona Lisa
56. O contador de histórias
57. O melhor jogo da História
58. O expresso da meia-noite
59. O menino do pijama listrado 
60. O mundo de Sofia
61. O nome da rosa
62. Pro dia nascer feliz
63. Pride – orgulho de uma nação
64. Pelle, o conquistador
65. Prova de fogo 
66. Quando tudo começa
67. Sociedade dos poetas mortos
68. Ser e ter
69. Treino para a vida
70. Tapete vermelho
71. Uma mente brilhante
72. Uma onda no ar 
73. Uma viagem inesperada
74. Um sonho de liberdade
75. Vem dançar

Em uma próxima postagem, comentarei os filmes Ao mestre com carinho e Ao mestre com carinho 2. Abraços! Alcir postou.

PS: espero que tenham se divertido com os “aforismos” do Seu Alexandre.

 

 

Ao mestre com carinhoAo mestre com 2